Não é novidade que voltei ao selvagem, concorrido e impiedoso mercado dos solteiros. Estou encarando isso como uma oportunidade de recolocação, como se o RH da empresa tivesse me demitido (não por justa causa, mas por corte de contingente) inesperadamente. Assim como existem várias formas, virtuais e analógicas, de se conseguir um emprego e como também sabemos que o mercado não tá fácil pra ninguém (exceto talvez para os arquitetos de informação), resolvi fazer uma coletânea de algumas modalidades clássicas de se (tentar) pleitear uma vaga de namorada/ficante/trepante. As que eu lembro agora, por falta de treino mesmo, em ordem crescente de probabilidade de dar certo*, são:
Baladas incríveis com amigas solteiras
Poderia ter nomeado esse item como “Foge que é zica”. Uma balada com amigas solteiras (geralmente desesperadas, ainda mais se forem da subespécie “mulherzinha”) que se juntam com o propósito de pegar homem é sinônimo de que vai dar merda. Já começa com aquela super expectativa da preparação: maquiagem carregadíssima que vai derreter em 3 horas formando as incríveis bolas de rímel, cabelo impecável que ficará apodrecido depois da mistura impregnante de suor+fumaça e as roupas, itens que também serão impiedosamente contaminados pela atmosfera saudável que só uma balada pode oferecer. A expectativa se transforma gradualmente em uma quase histeria quando as participantes constatam que os homens estão mais preocupados com a bebida e com a gostosa dançando freneticamente na pista. Nem sempre (e depois dos 20, cada vez menos) o pique dura até o fim da balada, quando os homens já estão insuportavelmente bêbados e com o nível de seleção lá em baixo, aumentando as chances da noite sair do zero a zero. Pior ainda quando só uma se dá bem e as outras empatam a foda querendo ir embora. Isso sempre acaba com as envolvidas com cara de cu ouvindo alguma música deprimente no carro de volta pra casa.
Blind dates da internet
Pra mim, um dos meios mais seguros de se conseguir encontros promissores. Não apelei ainda para meios mais extremos (tipo Bate-papo do UOL, por exemplo), mas fui muito bem sucedida nas minhas investidas (sorte, talvez). Da internet já namorei um físico –que depois se revelou um freak— e já saí com gente interessante o suficiente pra considerar algo mais sério. Quanto ao “seguro” do começo do tópico, não se iludam: a possibilidade de encontrar um psicopata assassino e morrer esfaqueada ainda existe. Anotem aí: marcar encontros, só em locais movimentados. E nunca vá com a roupa que prometeu ir: isso garante escapadas rápidas se o cara for identificado como barango a uma distância segura. *Nota mental: sempre carregar os óculos na bolsa.
Revival com ex-qualquer coisa
Costumo manter o saudável hábito de romper relacionamentos amigavelmente. Isso me garante um back-up para momentos de aridez extrema. Geralmente são ótimas companhias, afinal eles te conhecem muito bem e garantem papos bacanas. O sexo é meio esquisito, na maioria das vezes. Lembra um pouco quando você repete um prato e já está satisfeito: na começo é bom, mas do meio pro fim bate aquela sensação de arrependimento. Se sentir ânsia, pare imediatamente!
Amigos de amigos
Esses são os que mais tem chance de dar certo. Seu amigo só vai te apresentar outro amigo se achar que a compatibilidade entre os dois é razoavelmente alta. Pode dar errado quando vira telefone sem fio e o amigo em questão começa a interferir e palpitar no pseudo-relacionamento. Nesses casos, o amigo que originou o embrião ao juntar os respectivos “23 cromossomos sociais” dos envolvidos deveria humildemente se recolher e deixar as coisas acontecerem sem interferência, sob pena de uma mutação nada agradável (uau, bela licença poética). Nada pior que disse-que-me-disse e informações desencontradas. “Ah, mas o Fulano me contou que você já bebeu e vomitou na sarjeta em 2003!” –eu, hein? Às vezes não tem nada pior do que um amigo que perpetua aquela fase que você queria esquecer.
To be continued…
*Todas as táticas aqui mencionadas foram testadas (algumas exaustivamente) pela senhora deste domínio. Aplique-as por sua conta e risco.
2 respostas até agora ↓
leo // Junho 3, 2008 às 2:36 pm |
Você esqueceu o número zero: não fazer absolutamente nada e ficar reclamando que está sozinho pra todas as pessoas que você conhece, esperando que alguém interessante caia do céu.
Esse eu posso garantir que não funciona.
ET DE VARGINHA LARGA // Junho 5, 2008 às 7:07 pm |
e quem é super sociável?
senta em casa e espera alguém perfeito aparecer, claro.
farei isso em breve.